Contemporânea de Coco Chanel, alguns poucos anos
mais velha do que a mesma, Madeleine Vionnet
(1876-1975) foi apontada como a pessoa do
mundo fashion que mais contribuiu em
termos técnicos à alta-costura.

Um dos grandes exemplos de suas
criações foi o corte enviesado,
"bias cut", isto é, o corte que
realiza-se de viés em relação ao
eixo do tecido. Modelava
(moulage: criação sua) sobre
uma boneca de madeira, com 80
centímetros de altura,
de corpo almofadado: pronto
para receber alfinetes,
coadjuvantes na escultura da
peça. Para só depois
criar a peça em tamanho humano.
Lembrando que um tecido -
algo plano - é transformado
numa peça adequada para se ajustar à dimensão
do nosso corpo, massa espacial.
A roupa é uma escultura. (Ela era chamada de
arquiteta - não à toa). Para construí-la precisa-se
modelá-la. É básico mas por ser um
conhecimento tão absorvido culturalmente,
que se esqueceu da complexidade desse pseudo simples.
Outro item relacionado ao "bias cut", a quantidade
na metragem horizontal que se despende
para um corte desse tipo é enorme, ela encomendava
seus tecidos com dois metros de largura -
onde um dos padrões da área é de 1,40m.


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Madeleine modelou também no plano. Era uma expert.
Outra marca sua foi o drapeado - inspiração no
vestuário grego. Buscava a limpeza na confecção de
uma peça, ao ponto de usar nós estilizados em lugares
estratégicos ou bordados com a finalidade de evitar
a costura. Em muitas de suas peças a mesma era cortada
de modo a receber uma só costura lateral.


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A pobre menina francesa iniciou sua carreira aos
11 anos como aprendiz de corte e costura. Trabalhou
duro e passou por nomes de peso da época como
Kate O’Reilly, Callot Soeurs e Doucet.
Somente em 1912 conseguiu abrir sua própria maison.
Vestiu stars hollywoodianas como Marlene Dietrich,
Katharine Hepburn e Greta Garbo.

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Pois está acontecendo em Paris, no Musée des Arts
Décoratifs, uma mostra que homenageia essa grande
estilista e irá até 31 de Janeiro de 2010. Uma centena
de vestidos, setecentos e cincoenta desenhos de padrões
e cerca de setenta e poucos álbuns fotográficos.
Sua contribuição é tão profunda que a alta costura
ainda sofre influência do seu trabalho, entre nomes
conhecidos temos Gaultier, Galliano e Lagerfeld.

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